Ariosto da Riva

A SAGA DO COLONIZADOR


    Ariosto da Riva, o último dos bandeirantes, por muitos considerado "louco, insano", "sonhador", foi um colonizador, um verdadeiro fazedor de cidades. Nascido no interior, em Agudos/SP, filho de um músico, aos 17 anos, saiu de casa em sua primeira aventura, para se tornar garimpeiro de diamantes. Mais tarde, trabalhando para Geremia Lunardelli, principal responsável por toda a colonização do Paraná, ele aprenderia os caminhos de sua definitiva profissão, colonizador.

    Com Lunardelli, o empresário-bandeirante aprendeu que "terra boa não tem distância" e, já nos anos 50, começou sua primeira experiência como desbravador. Com um grupo de amigos, Ariosto da Riva fundou Naviraí, no hoje Estado do Mato Grosso do Sul.

    Nessa primeira experiência, muitas dúvidas e conflitos com os índios locais fizeram o colonizador reavaliar seus projetos na região do Sul do Mato Grosso. Dirigiu-se então para São Felix do Araguaia, no hoje Estado de Mato Grosso, onde permaneceu por pouco tempo. Logo o solo da região se mostrou impróprio para a agricultura, a base do sonho da colonização.

    Ariosto da Riva sonhava com uma reforma agrária particular, sem a burocracia do governo federal, onde os pequenos agricultores fossem privilegiados por uma terra produtiva acessível, e uma estrutura de cidade adequada.

    Com essa missão de vida, em 1974, ele partiu para a selva amazônica, antes quase nada explorada, onde hoje está a cidade de Alta Floresta, no Norte do Estado do Mato Grosso, quase na divisa do Estado do Pará.

    Ariosto da Riva comprou 418.000 ha (quatrocentos e dezoito mil hectares) de terra de uma firma do Rio de Janeiro/RJ, por um preço razoavelmente baixo, pois ninguém se atrevia a pensar em desbravar estas terras, não havia acesso terrestre, aéreo ou marítimo. O Governo Federal através de uma licitação passou para o colonizador mais 400.000 ha (quatrocentos mil hectares) como incentivo ao desenvolvimento da região norte do Estado do Mato Grosso, antes unificado.

    Dessa iniciativa surgiu a INDECO - Integração, Desenvolvimento e Colonização, empresa montada para iniciar o desbravamento e atrair colonos do sul do país.

    Fundou, ainda, na mesma região, as cidades de  Paranaíta e Apiacás.

    Os resultados obtidos como colonizador se devem, segundo ele próprio, principalmente a uma coisa: "trabalho, muito trabalho". Sempre foi muito atento e se envolvia até nos detalhes aparentemente mais insignificantes nos negócios.

    Se dependesse de Ariosto da Riva, a INDECO e seus projetos de colonização seriam sempre tocados com o coração. Quem garante são os seus filhos e os colaboradores que conviveram com ele.

    Cidadão honorário em muitas cidades, contar o que fez Ariosto da Riva, nas áreas onde ele deixou seu olhar, é tentar reproduzir a difícil simbiose que une o homem a terra, que os funde na vocação de gerar fluxo. Quando se trata especialmente de um homem que pôs o coração à frente de cifras e valoresmateriais, é querer transformar o sublime no grotesco de números, e mesmo correr o risco de diminuir os valores morais que dele emanaram.

    Por onde passou, a impressão que se tem, ao conversar sobre Ariosto, com quem ele tinha contato, é uma só - e até parece combinada. Foi um homem voltado para o trabalho, um empreendedor por natureza, e, sintetizando esta e outras qualidades e atributos que lhe são conferidos, foi um homem que amava seu País e tinha imensurável fé nas perspectivas que este oferecia.

    Sofreu não só com as barreiras impostas pela natureza, mas também da vida. Quando pensou que tudo já lhe tinha acontecido, um desastre familiar abalou o "velho Ariosto" como era carinhosamente chamado pelos amigos, e pelo seu filho Ludovico da Riva Netto, falecido em 1990, em acidente aéreo no município de Barra do Garças/MT, quando almejava uma carreira política mesmo contra a vontade de seu pai Ariosto.

    Foi um golpe do destino jamais sentido pelo colonizador, pois Ludovico era seu braço direito nas empresas e na família. Toda região Norte do Estado também sofreu, pois o sucessor de Ariosto, também no carisma, na bondade e no trabalho, partia de uma forma triste e sofrida.

    Na madrugada de 25 de julho de 1992, Ariosto da Riva, 77 anos, falece vítima de um infarto do miocárdio, na cidade de Alta Floresta/MT. O bandeirante do século XX morreu, mas deixou ao povo mato-grossense um legado de modernidade, de seriedade, de moralidade e de trabalho.

    Durante mais de trinta anos Ariosto se dedicou a construir, a escrever a história moderna de Mato Grosso com seu trabalho e sua visão empresarial de vanguarda. Ariosto da Riva se foi, mas deixou um exemplo a ser seguido por muitos.

Texto extraido www.colonizadoraindeco.com.br

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